Congresso Internacional sobre Insetos Sociais reúne 540 participantes de 36 países | AGÊNCIA FAPESP

Congresso Internacional sobre Insetos Sociais reúne 540 participantes de 36 países Com apoio da FAPESP, encontro com pesquisas sobre biologia de abelhas, formigas, vespas e cupins foi realizado pela primeira vez na América Latina (cerimônia de abertura / foto: divulgação)

Congresso Internacional sobre Insetos Sociais reúne 540 participantes de 36 países

08 de outubro de 2018

Agência FAPESP – Um congresso científico sobre insetos sociais reuniu 540 participantes de 36 países no Guarujá (SP), em agosto. Com apoio da FAPESP para organização, o evento teve 350 apresentações orais e 241 pôsteres.

Realizado a cada quatro anos pela International Union for the Study of Social Insects (IUSSI), foi a 18ª edição do congresso – primeira na América Latina – sobre a biologia de abelhas, formigas, vespas e cupins.

“Lembrando que esses insetos compõem cerca de 30% da biomassa animal terrestre em quase todos os biomas”, disse Klaus Hartfelder, professor titular da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo e presidente da Seção Brasileira da IUSSI, à Agência FAPESP.

“Insetos sociais são as abelhas, formigas e vespas da ordem Hymenoptera e os cupins da ordem Blattaria. Esses insetos não somente apresentaram um desafio ao próprio Darwin ao formular a teoria de Seleção Natural, como são grupos ecologicamente dominantes em termos de biomassa em quase todos os ecossistemas terrestres. São também de grande importância econômica, como polinizadores de ampla gama de plantas silvestres e cultivadas, assim como na predação de pragas agrícolas e como causadores de desfolhamento em algumas culturas agrícolas”, disse Hartfelder.

No congresso, a biologia dos quatro grupos foi discutida em simpósios transversais abrangentes, divididos em sete grandes temas: Genômica de insetos sociais; Neurobiologia, comunicação e comportamento; Evolução social e sociobiologia; Saúde e imunidade; Ecofisiologia e interações com o meio ambiente; Biologia de conservação e progresso em ecologia; e Filogenia e evolução.

O mesmo panorama se refletiu na seleção dos palestrantes das nove plenárias. Benjamin Oldroyd, professor da Universidade de Sydney, abordou a questão da evolução e dos mecanismos da esterilidade das operárias nas abelhas melíferas. Elizabeth Tibbetts, professora na Universidade de Michigan, mostrou como vespas do gênero Polistes usam as marcas da face das suas companheiras no ninho para reconhecimento individual e resolução de conflitos.

Paulo Sergio Moreira Carvalho de Oliveira, da Unicamp, usou o exemplo das formigas Odontomachus, que habitam bromélias epífitas na Mata Atlântica, para mostrar como elas se orientam durante o forrageamento nas árvores e como beneficiam as próprias bromélias.

Toru Miura, da Universidade de Tóquio, falou sobre aspectos evolutivos e mecanismos da determinação da casta de soldados nos cupins. Seirian Sumner, do University College London, relatou como as famosas quatro perguntas e explicações de Nikolaas Tinbergen referentes a fenômenos biológicos (mecanismo e ontogenia, valor adaptativo e filogenia) podem instruir atuais pesquisas sobre o comportamento social e a sociogenômica das vespas.

Walter Farina, da Universidade de Buenos Aires, exemplificou como pesquisas básicas sobre a comunicação, fontes de alimentos e recrutamento de novas forrageiras nas abelhas melíferas podem contribuir para melhorar a eficiência de polinização em cultivos de grande importância econômica, como pera, amêndoa e girassol.

Theresa Wossler, da Universidade de Stellenbosch, apresentou dados sobre a biologia peculiar de Apis mellifera capensis, que ocorre na região do Cabo na África do Sul e que se distingue das demais subespécies de A. mellifera pela capacidade reprodutiva das operárias e o fato de serem capazes de não apenas produzir outras fêmeas (diploides). Falou também como a translocação de seus ninhos causou grandes perdas de colmeias de outras subespécies de abelhas melíferas nativas.

Jennifer Fewell, da Universidade do Estado de Arizona, abordou a questão de custos, benefícios e dinâmicas nas interações sociais utilizando pesquisas sobre associações de ninhos de formigas Pogonomyrmex.

Na última plenária, Andreas Brune, do Instituto Max Planck, apresentou dados sobre a complexidade e diversidade da microbiota intestinal comparando cupins mais primitivos com cupins da família Termitidae, além de relatar como o ciclo metabólico da microbiota intestinal se relaciona com a capacidade de digestão da celulose e especialmente da hemicelulose, o que permitiu aos cupins, há 150 milhões de anos, explorar um nicho ecológico inacessível à maioria dos animais, de modo semelhante ao que ocorreu com os ruminantes.

Comitê organizador

Para os organizadores, um dos grandes objetivos do congresso da IUSSI foi o de estimular a ampla comunidade científica internacional a conhecer melhor a gama de trabalhos realizados sobre insetos sociais por pesquisadores no Brasil, país que possui a maior biodiversidade desse grupo de organismos.

“Nesse aspecto, foi de suma importância a participação de grande número de alunos de pós-graduação e recém-doutores do Brasil em um congresso que trouxe autoridades expressivas da área e que permitiu a troca de ideias para futuras e produtivas colaborações”, disse Hartfelder.

“Evidentemente, um congresso dessa natureza necessita de um financiamento sólido e, nesse aspecto, foi possível contar com outros recursos além das taxas de inscrição. Assim, agradecemos aos recursos recebidos das agências de fomento FAPESP, CNPq e Capes, Associação Brasileira de Estudos das Abelhas e da Springer, que publica a revista oficial da IUSSI, Insectes Sociaux, e cujos royalties à IUSSI financiaram a vinda de muitos estudantes do exterior e do Brasil”, disse Hartfelder.

Fundada em 1951, a IUSSI tem como propósito integrar pesquisadores que estudam diferentes aspectos da biologia de insetos sociais. A associação conta com 10 seções regionais, sendo duas na América Latina, a seção Andina-Caribenha e a Brasileira.

A preparação para o evento no Brasil demandou trabalho intenso do comitê local de organização, composto pelos membros da atual diretoria da Seção Brasileira da IUSSI: Klaus Hartfelder (FMRP-USP), Fábio Santos do Nascimento (FFCLRP-USP), Denise de Araujo Alves (Esalq-USP) e Francis de Morais Franco Nunes (DGE-UFSCar), junto com Ana Maria Costa Leonardo e Maurício Bacci Júnior, da Unesp.

Mais informações: https://iussi2018.com.
 

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