Colaborações internacionais estimulam a pesquisa internacional e de qualidade | AGÊNCIA FAPESP

Colaborações internacionais estimulam a pesquisa internacional e de qualidade Na abertura da FAPESP Week, Marco Antonio Zago (foto), presidente da FAPESP, destacou a importância das parcerias entre cientistas de diferentes países para o desenvolvimento da ciência e da tecnologia (foto: Heitor Shimizu / Agência FAPESP)

Colaborações internacionais estimulam a pesquisa internacional e de qualidade

27 de novembro de 2018

Heitor Shimizu, de Nova York   |  Agência FAPESP – “Aqueles que trabalham com o desenvolvimento de colaborações internacionais sabem como é comum ter a experiência que tive muitas vezes, de viajar, ter conversas muito interessantes com pessoas de outras regiões, falar sobre ótimas ideias de parcerias e, depois, ver que nada resultou daquilo”, disse Chase F. Robinson, presidente da City University of New York (CUNY), na abertura da FAPESP Week New York.

“Mas este simpósio [FAPESP Week] é um exemplo de que não precisa ser sempre assim. Em primeiro lugar, é um evento organizado com velocidade e eficiências notáveis, a partir da visita recente que fiz à FAPESP, onde me reuni com Carlos Henrique de Brito Cruz [diretor científico da FAPESP]. Em segundo, é um evento que permitirá promover o que fazemos e compartilhar nossas pesquisas com cientistas de São Paulo”, disse.

“É também um evento importante por abrir avenidas de cooperações científicas e representar uma primeira demonstração do sucesso da colaboração entre a CUNY e a FAPESP. É certamente o início do que poderá ser uma parceria extraordinária”, disse Robinson.

Organizada por FAPESP, CUNY e Wilson Center, a FAPESP Week New York, que se realiza de 26 a 28 de outubro no Graduate Center da CUNY, tem como objetivo reforçar colaborações em pesquisa e promover novas parcerias entre cientistas do Brasil e dos Estados Unidos.

“A FAPESP Week é também parte da estratégia da FAPESP de estimular colaborações internacionais. Promovemos, com parceiros de outros países, dois ou três desses eventos por ano com o objetivo de reunir pesquisadores de instituições desses países com os do Estado de São Paulo, de modo que eles possam identificar temas de interesse comum e realizar futuras colaborações em pesquisa”, disse Marco Antonio Zago, presidente da FAPESP.

Zago falou sobre a ciência e tecnologia de São Paulo, estado que, “apesar de ocupar apenas 3% da área do Brasil, produz cerca de metade da ciência do país”.

“Mas devemos destacar que o que distingue o Estado de São Paulo não é apenas o tamanho de seu sistema de ciência, tecnologia e inovação (CT&I), mas sim a sua qualidade. Dou dois exemplos. O primeiro é a participação significativa de empresas e do setor privado em CT&I no Estado, tanto no tamanho do investimento quanto no número de pesquisadores”, disse Zago.

“O segundo ponto é a estabilidade. Apesar das dificuldades econômicas dos últimos anos, que têm resultado em cortes significativos no investimento federal em pesquisa e desenvolvimento, o Estado de São Paulo protege por lei e pela sua Constituição o investimento em pesquisa por meio da FAPESP”, disse.

“Essa estabilidade garante a qualidade da pesquisa produzida em São Paulo, mas é importante que façamos mais e há muitas estratégias nesse sentido. Uma ferramenta importante para isso são as colaborações internacionais. Na FAPESP, promovemos tais colaborações de diversas formas. Uma delas é o apoio à permanência por curtos períodos de pesquisadores do Estado de São Paulo em laboratórios no exterior com os quais estejam colaborando. Outro exemplo é a atração de pesquisadores do exterior, especialmente jovens, para que pesquisem ou montem laboratórios de pesquisa em instituições no Estado de São Paulo”, disse Zago.

São Paulo e FAPESP

Brito Cruz também destacou a importância das colaborações internacionais em pesquisa, mencionando que a FAPESP mantém acordos de cooperação com mais de 200 organizações em 28 países. Em 2017, a Fundação destinou R$ 175 milhões para estimular a colaboração científica entre pesquisadores de instituições paulistas e redes de pesquisa no país e no mundo.

Segundo o diretor científico da FAPESP, o objetivo é potencializar os resultados dos trabalhos científicos em áreas de interesse em comum ou complementares e ampliar o impacto internacional da ciência produzida no Estado de São Paulo. Com as colaborações no país foram gastos R$ 27,2 milhões e com as internacionais, R$ 147,8 milhões.

“Temos uma estratégia na FAPESP para desenvolver oportunidades de colaborações para pesquisadores do Estado de São Paulo e é esse um dos motivos pelo qual estamos nesta FAPESP Week. A maioria das instituições de ciência e tecnologia relevantes no mundo estão conectadas com o Estado de São Paulo por intermédio da FAPESP. Acordos de cooperação que assinamos com essas instituições permitem a pesquisadores do Estado de São Paulo submeter, com colegas em outros países, propostas que serão avaliadas e, se aprovadas, serão apoiadas pela FAPESP e pela instituição parceira”, disse.

Segundo Brito Cruz, além de conceder bolsas e auxílios para o exterior a pesquisadores e estudantes do Estado de São Paulo, a FAPESP tem vários mecanismos para estimular que pesquisadores e estudantes de outros países venham para o Estado de São Paulo. Pesquisadores de 167 países estiveram em São Paulo em 2017 por meio de auxílios concedidos pela FAPESP.

Brito Cruz falou também sobre as Escolas São Paulo de Ciência Avançada (ESPCA), cursos de curta duração ministrados por renomados cientistas brasileiros e estrangeiros, e sobre o programa São Paulo Excellence Chair (SPEC), em que pesquisadores seniores de outros países colaboram com colegas brasileiros por períodos de três a cinco anos, com permanência no Brasil de 12 semanas por ano.

“Nosso objetivo é fazer do Estado de São Paulo um hub de pesquisa reconhecido mundialmente. Colaboração, para a FAPESP, não significa exportar brasileiros, mas buscar projetos de pesquisa colaborativos. Colaboração é ter brasileiros e colegas do exterior trabalhando juntos na elaboração e no desenvolvimento de projetos de pesquisa. Mas é importante destacar que queremos projetos de pesquisa completos e complexos que justifiquem a colaboração internacional”, disse Brito Cruz.

13 prêmios Nobel

Stephen Brier, professor de Educação Urbana e coordenador do programa de Tecnologia Interativa e Pedagogia do Graduate Center, falou sobre a CUNY e seu papel no desenvolvimento da educação pública em nível superior nos Estados Unidos.

A CUNY é a maior universidade pública urbana do mundo, composta por 25 campi espalhados pelos cinco distritos nova-iorquinos – Manhattan, Brooklyn, Queens, Bronx e Staten Island. Reúne mais de 275 mil estudantes em 25 instituições, entre as quais 11 faculdades, sete faculdades comunitárias e o Graduate Center, de pós-graduação. A CUNY tem mais de 100 centros de pesquisa e orçamento de US$ 1,6 bilhão em 2018.

Fundada em 1847, a CUNY tem 13 prêmios Nobel e 23 vencedores das “bolsas para gênios” da Fundação MacArthur entre seus ex-alunos. Entre aqueles que se graduaram na CUNY estão Jonas Salk (inventor da primeira vacina antipólio), Kenneth Arrow (Nobel de Economia de 1972), John O'Keefe (Nobel de Medicina de 2014), Leonard Kleinrock (um dos inventores da internet), Andy Grove (fundador da Intel), Collin Powell (ex-secretário de Estado), Jerry Seinfeld (comediante) e Mario Puzo (escritor).

“Temos na CUNY o terceiro maior sistema público de ensino superior nos Estados Unidos, do qual nos orgulhamos de ser aberto para qualquer pessoa e não apenas a alguns escolhidos e mais favorecidos”, disse Brier.

Segundo ele, a CUNY é uma das mais diversas e inclusivas universidades nos Estados Unidos e está entre as 10 instituições em participação de grupos minoritários em programas de pós-graduação.

De cada 10 estudantes da CUNY, sete recebem algum tipo de auxílio financeiro. O resultado é que, diferentemente de boa parte do ensino superior nos Estados Unidos, 80% daqueles que concluem a graduação na CUNY o fazem sem acumular dívidas nos cursos em que se diplomaram.

O Graduate Center da City University of New York (CUNY) está localizado no centro de Manhattan – na Quinta Avenida, entre as ruas 34 e 35 – e opera em cooperação com os campi da CUNY.

Com orçamento de US$ 140,6 milhões para o ano fiscal 2018-2019, o Graduate Center tem cerca de 140 professores fixos e mais de 1,7 mil que ministram aulas ou outras atividades, mas estão ligados a outros campi da CUNY. O Centro oferece educação em nível de pós-graduação, com estímulos como bolsas e oportunidades de se fazer pesquisa.

O Centro tem 4 mil estudantes em 40 programas de doutorado e de mestrado – 90% estão no doutorado. As disciplinas são oferecidas em diversos institutos e centros, entre os quais o Advanced Science Research Center (ASRC). A atuação do ASRC se dá em cinco disciplinas interconectadas: Ciências Ambientais, Nanociência, Neurociência, Fotônicas e Biologia Estrutural. Pesquisadores trabalham em projetos colaborativos – que incluem cientistas e estudantes visitantes – e compartilham equipamentos e infraestrutura laboratorial.

O CUNY Graduate Center tem vários centros voltados para ensino e pesquisa de áreas e assuntos considerados representativos de minorias, como o Centro de Estudos para a América Latina e Caribe, o Centro de Estudos sobre Mulheres e Sociedade, o Centro de Estudos LGBTQ e o Centro Stone de Desigualdade Socioeconômica.

A FAPESP Week New York reúne cientistas de diversas áreas do conhecimento, que farão apresentações sobre os temas: Assuntos Ambientais e Metropolitanos, Desigualdades Sociais, Neurociência, Biologia Estrutural, Fotônica, Astronomia e Astrofísica, Fake News e Mídias Sociais em Campanhas Políticas e Relações Internacionais – Estados Unidos e Brasil.

Saiba mais sobre a FAPESP Week New York em: www.fapesp.br/week2018/newyork.

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