Colaboração internacional torna pesquisa mais produtiva | AGÊNCIA FAPESP

Colaboração internacional torna pesquisa mais produtiva O papel da colaboração internacional no avanço da ciência e o aumento dos trabalhos resultantes da cooperação entre o Reino Unido e o Brasil foram temas abordados na abertura da FAPESP Week London (Foto: Marcelo Meletti)

Colaboração internacional torna pesquisa mais produtiva

11 de fevereiro de 2019

Heitor Shimizu, de Londres | Agência FAPESP – “A ciência é universal e não há dúvida de que os melhores cientistas adotam uma abordagem global em seus trabalhos. Isso se reflete na qualidade da pesquisa feita no Reino Unido derivada de colaborações internacionais, que é muito alta”, disse Sir Mark Walport, diretor executivo da UK Research and Innovation (UKRI), na abertura da FAPESP Week London, nesta segunda-feira (11/02) na capital britânica.

Walport falou para um auditório completamente lotado na Royal Society, a célebre academia britânica que foi presidida por Isaac Newton de 1703 a 1727. O evento, realizado no âmbito do Ano Brasil-Reino Unido de Ciência e Inovação, reúne cientistas de várias instituições britânicas e brasileiras em apresentações, debates e estabelecimento de parcerias nas mais diversas áreas do conhecimento.

Segundo Walport, a importância das colaborações internacionais em pesquisa para o Reino Unido pode ser demonstrada pela parceria mantida com a FAPESP, que inclusive é uma das três agências estrangeiras destacadas no site da UKRI.

A FAPESP e os conselhos britânicos lançam frequentes chamadas de propostas para apoiar projetos de pesquisa submetidos por pesquisadores no Estado de São Paulo em colaboração com colegas no Reino Unido. As chamadas, em todas as áreas do conhecimento, envolvem também instituições como o British Council e mecanismos de financiamento como o Fundo Newton.

“Estou encantado com a extensão e a amplitude da colaboração que mantemos com a FAPESP. Acho que o modelo de fundações estaduais [de apoio à pesquisa] é extraordinário e extremamente bem-sucedido, como podemos ver a partir da atuação da FAPESP”, disse Walport.

“Nosso trabalho, na UKRI, é permitir que nossos pesquisadores trabalhem com as melhores pessoas, não importa onde elas estejam. Por isso, temos uma série de acordos de cooperação com a FAPESP que facilitam com que pesquisadores do Reino Unido e do Estado de São Paulo trabalhem juntos. Desde 2009, quando assinamos o primeiro acordo com a FAPESP, a UKRI apoiou 32 projetos de pesquisa, com valor total superior a £ 16 milhões”, disse Walport.

A UKRI (antes RCUK, Conselhos de Pesquisa do Reino Unido) é a organização responsável pelo financiamento público para pesquisa e inovação no Reino Unido. Com orçamento anual de mais de £ 7 bilhões, a UKRI reúne os sete conselhos de pesquisa no Reino Unido: Arts and Humanities Research Council (AHRC), Biotechnology and Biological Sciences Research Council (BBSRC), Economic and Social Research Council (ESRC), Engineering and Physical Sciences Research Council (EPSRC), Medical Research Council (MRC), Natural Environment Research Council (NERC) e o Science and Technology Facilities Council (STFC).

Também integram a UKRI a agência de apoio à inovação Innovate UK e o novo Research England, conselho responsável por supervisionar as atividades de pesquisa e inovação em instituições de ensino superior no Reino Unido.

“Concedemos 3,9 mil auxílios à pesquisa a cada ano e temos cerca de 2,4 mil projetos colaborativos liderados por empresas e cerca de 200 parcerias que chamamos de Transferência do Conhecimento. Recebem financiamento da UKRI 151 universidades britânicas, além de 38 institutos, laboratórios e outras unidades de pesquisa e inovação”, disse Walport.

“O objetivo da UKRI é fazer do Reino Unido o melhor local possível para pesquisadores e inovadores”, disse.

Professor de Medicina no Imperial College London, Walport foi o principal conselheiro científico do governo britânico e chefe do Office for Science. Foi diretor do Wellcome Trust e chefe da Divisão de Medicina do Imperial College London. Cavaleiro da Ordem do Império Britânico desde 2009, foi eleito fellow da Royal Society em 2011.

Interesse global

Marco Antonio Zago, presidente da FAPESP, falou no evento sobre a importância da ciência, tecnologia e inovação produzidos no Estado de São Paulo. “Apesar de ter apenas 3% da área do país, o Estado de São Paulo produz metade da ciência feita no Brasil. Mais do que o tamanho, porém, o que distingue a ciência em São Paulo é a qualidade”, disse.

“Um exemplo disso é a participação significativa de empresas e do setor privado, considerando o tamanho do investimento ou a porcentagem de pesquisadores. Outro exemplo é a estabilidade. Apesar das dificuldades econômicas do Brasil, no Estado de São Paulo a Constituição garante um financiamento estável à pesquisa por meio da FAPESP”, disse Zago.

“Na FAPESP, temos também ampliado as colaborações internacionais como uma ferramenta para promover a qualidade em pesquisa em temas de interesse global. A FAPESP promove isso de várias formas, como por meio do apoio a projetos internacionais que envolvam pesquisadores ou centros de pesquisa no Estado de São Paulo. Outra forma é trazer pesquisadores de outros países para participar da vida científica ou conduzir projetos de pesquisa no Estado de São Paulo”, disse.

Produção em alta

Carlos Henrique de Brito Cruz, diretor científico da FAPESP, também destacou em sua apresentação a importância do Reino Unido como parceiro internacional de estudos apoiados pela FAPESP. Em 10 anos, a FAPESP apoiou 400 projetos de pesquisa em colaboração com agências de fomento, empresas e universidades britânicas (A relação dos projetos apoiados está em: http://www.fapesp.br/publicacoes/2018/fapesp_uk.pdf).

Segundo Brito Cruz, desde 2009, quando foi assinado o primeiro acordo com a UKRI (na época Research Councils UK), a FAPESP tem aumentado e fortalecido as parcerias com instituições britânicas.

“A FAPESP também tem cooperação com 26 universidades britânicas, por meio da qual oferecemos financiamento inicial (“seed funding”) para que pesquisadores em São Paulo possam trabalhar com colegas no Reino Unido por um ano, de modo a elaborar projetos de pesquisa de fôlego que serão submetidos posteriormente à FAPESP e às agências britânicas. Também temos acordos com empresas, como GSK, AstraZeneca/MedImmune e Shell. E é importante destacar o papel do Newton Fund, que trouxe muito oxigênio para a atividade de colaboração científica nos últimos cinco anos”, disse Brito Cruz.

O resultado, segundo Brito Cruz, é que pesquisadores do Estado de São Paulo passaram a contar com uma ampla gama de formas de apoio para financiar colaborações com pesquisadores do Reino Unido.

“Não é apenas uma estratégia, mas também conta com fundos. Nós montamos uma estratégia e a financiamos. E aí as coisas acontecem. Por exemplo, se olharmos para a porcentagem de artigos científicos de pesquisadores em São Paulo com coautores em outros países, vemos que era algo que se manteve constante, em cerca de 25%, até 2007 e 2008. A partir daí, passou a subir e está se aproximando de 40%”, disse Brito Cruz.

“A produção científica resultante do apoio da FAPESP em parceria com organizações e instituições britânicas tem crescido comparativamente mais do que a de outros países, a ponto de hoje o Reino Unido ser o segundo principal parceiro na produção científica com autores do Estado de São Paulo, atrás apenas dos Estados Unidos”, disse.

No contexto desses acordos assinados pela FAPESP, mais de 350 projetos de pesquisa foram selecionados para receber financiamento. Um dos resultados desse apoio da FAPESP está no aumento de 173% no número de artigos científicos assinados por pesquisadores do Estado de São Paulo junto com colegas britânicos entre 2010 e 2016 (segundo dados da Thomson Reuters).

Brito Cruz falou sobre as diversas formas de apoio da FAPESP para apoiar a colaboração internacional em pesquisa. Além de conceder bolsas e auxílios para o exterior a pesquisadores e estudantes do Estado de São Paulo, a FAPESP estimula que pesquisadores e estudantes de outros países venham para o Estado de São Paulo.

Entre esses mecanismos estão o Auxílio a Pesquisador Visitante, as Escolas São Paulo de Ciência Avançada (ESPCA), cursos de curta duração ministrados por renomados cientistas brasileiros e estrangeiros, e o programa São Paulo Excellence Chair (SPEC), em que pesquisadores seniores de outros países colaboram com colegas brasileiros por períodos de três a cinco anos, com permanência no Brasil de 12 semanas por ano.

Participaram da abertura da FAPESP Week London Andrew Allen, diretor de Relações Internacionais da Royal Society, e Fred Arruda, embaixador do Brasil no Reino Unido.

“Nossos países acreditam no chamado modelo de inovação de tripla hélice, no qual governos, academia e o setor privado se coordenam para estimular a inovação, e a FAPESP Week London demonstra o enorme potencial de explorar sinergias e complementaridades entre o Brasil e o Reino Unido em ciência, tecnologia e inovação”, disse Arruda.

FAPESP Week London: www.fapesp.br/london.
 

 

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