Centro de pesquisa apresenta o paulistinha a escolas | AGÊNCIA FAPESP

Centro de pesquisa apresenta o paulistinha a escolas Projeto Paulistinha Chega às Escolas, do Centro de Toxinas, Resposta-Imune e Sinalização Celular, inclui palestras de pesquisadores, caderno de atividades e visita a laboratório (foto: Daniel Antonio / Agência FAPESP)

Centro de pesquisa apresenta o paulistinha a escolas

11 de outubro de 2017

Maria Fernanda Ziegler  |  Agência FAPESP – “Cientista é uma pessoa que estuda muito, descobre coisas e depois compartilha com o mundo.” Foi o que escreveu uma menina de 12 anos em seu caderno de atividades. E como seria esse cientista? “Um homem careca, de jaleco e que vive tropeçando e deixando tudo cair no chão”, responde um colega da mesma escola.

Foi em meio a essas reflexões que alunos da sexta série da Escola Estadual Professor Vicente Peixoto, em Osasco (SP), receberam pesquisadores do Centro de Toxinas, Resposta-Imune e Sinalização Celular (CeTICS) – um Centro de Pesquisa, Inovação e Difusão (CEPID) apoiado pela FAPESP – no dia 20 de setembro. O motivo foi o projeto Paulistinha Chega às Escolas, que tem o objetivo de divulgar o papel da ciência e a importância do trabalho dos cientistas.

O projeto inclui um caderno de atividades – ilustrado por Veridiana Scarpelli e com orientação pedagógica de Meg Artacho – e está dividido em quatro etapas. Na primeira parte, em sala de aula, os alunos discutem com a professora o que é ciência e o que faz um cientista e mostram em desenho como veem esses profissionais.

Na segunda etapa, preparam perguntas para fazer na palestra “Da praia ao laboratório, como me tornei cientista”, de Mônica Lopes Ferreira, diretora do Laboratório Especial de Toxinologia Aplicada (LETA) e coordenadora de Ciência da Educação e Difusão do Conhecimento do CeTICS.

“Fiquei positivamente surpresa com a reação dos alunos. Na palestra, tínhamos 60 crianças atentas, participativas e muito interessadas. Acho que falta oportunidade de abrir as portas de nossos laboratórios, porque é impressionante como as crianças são interessadas, atentas e estão sempre prontas para nos receber”, disse Lopes Ferreira.

De fato, o silêncio era quase total durante a palestra em Osasco, na qual Lopes Ferreira contou como teve o interesse despertado para ser cientista, a respeito do trabalho realizado no laboratório e também sobre os animais que produzem ao mesmo tempo venenos e vacinas. O silêncio só foi quebrado – muito – quando as 60 crianças, de 12 a 14 anos, puderam fazer perguntas. “Existe peixe com veneno?”, “Qual o nome dele?”, “Deve ser peixe-cobra, não é?”

Lopes Ferreira falou ao público sobre um peixe venenoso conhecido popularmente como niquim (Thalassophryne nattereri), comum no litoral do Nordeste. Mas a estrela da palestra foi o paulistinha, ou Danio rerio, como as crianças logo aprenderam, modelo animal e espécie muito pesquisada pelos cientistas do CeTICs.

A terceira etapa, a mais esperada pelos alunos, incluiu a visita de três grupos de 12 crianças ao LETA. Eduarda Costa Vitorino, 12 anos, adorou a oportunidade. “É a primeira vez que conheço um laboratório. Aprendi como funciona um laboratório e também sobre o Danio rerio. É muito interessante. Também mostraram como funciona o trabalho com animais peçonhentos”, disse.

“Eu já tinha vontade de ser cientista. Na visita, vi que posso ser normal do meu jeito e ser uma cientista. É que eu pensei que fosse encontrar gente descabelada, mas eles são normais. Disciplinados é a palavra”, disse Eduarda.

Interesse pela ciência

O projeto Paulistinha Chega às Escolas começou a partir da iniciativa de Bruna Aguiar, professora de ciências da Escola Estadual Professor Vicente Peixoto, de procurar o CeTICS interessada em elaborar uma atividade escolar sobre água.

Da interação, a equipe do CeTICS teve a ideia de criar o projeto abordando o peixe paulistinha, pois assim seria contemplado tanto o desejo de trabalhar o tema água – contaminação, poluição, habitat – como apresentar às crianças o trabalho de um cientista.

“Todo esse processo no qual temos trabalhado, desde as primeiras atividades em sala de aula, palestra, poder conhecer um laboratório e compartilhar isso com a escola, foi muito importante. É uma oportunidade única que provavelmente os estudantes não teriam de outra forma. É incrível ver plantada no rosto deles, a cada visita, uma sementinha de curiosidade”, disse.

Aguiar afirma que o projeto também poderá aumentar a atração pelas aulas de ciências. “Tenho certeza que, a partir do projeto, o interesse dos alunos vai mudar. Além de eles conseguirem imaginar como funciona um laboratório, a pesquisa e o método científico, eles também poderão fazer a relação entre o trabalho de um pesquisador e os estudos deles de ciências na escola”, disse Aguiar.

Como não era possível que todos os alunos da sexta série do colégio fossem conhecer o laboratório, houve uma seleção por nota e por interesse demonstrado nas etapas anteriores do projeto. Na quarta etapa, os alunos que visitaram o laboratório vão contar aos colegas o que aprenderam na visita.

“Esse projeto é fundamental, porque cada vez mais o cientista precisa sair do laboratório e interagir com a sociedade. Esse projeto planta uma semente na criança e ela começa a sonhar com a possibilidade de se tornar um cientista”, disse Lopes Ferreira.

Mais informações: cetics.butantan.gov.br.
 

Veja mais fotos

Assuntos mais procurados