Carlos Joly é eleito para direção de painel do IPBES | AGÊNCIA FAPESP

Coordenador do BIOTA-FAPESP e australiano Mark Lonsdale vão dirigir o Painel Multidisciplinar de Especialistas da Plataforma Intergovernamental de Biodiversidade e Serviços Ecossistêmicos

Carlos Joly é eleito para direção de painel do IPBES

11 de junho de 2013

Agência FAPESP – Carlos Joly, professor do Instituto de Biologia da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e coordenador do programa BIOTA-FAPESP, e Mark Lonsdale, chefe da divisão de Serviços Ecossistêmicos da Commonwealth Scientific and Industrial Research Organisation (CSIRO), da Austrália, forem eleitos diretores do Painel Multidisciplinar de Especialistas (MEP, na sigla em inglês) da Plataforma Intergovernamental de Biodiversidade e Serviços Ecossistêmicos (IPBES).

A escolha para a chefia do MEP foi feita na semana passada durante reunião do painel em Bergen, na Noruega. Em janeiro, em reunião na Alemanha, haviam sido escolhidos os 25 membros do painel, com mandato de dois anos, entre eles Joly e Lonsdale. 

Instituído em abril de 2012, após quase dez anos de negociações internacionais, o IPBES tem a função de sistematizar o conhecimento científico acumulado sobre biodiversidade para subsidiar decisões políticas em âmbito internacional – trabalho semelhante ao que tem sido feito nos últimos 20 anos pelo Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC, na sigla em inglês).

O IPBES está organizado em três estruturas fixas: secretariado, diretoria e o MEP. O secretariado é gerenciado por quatro programas da Organização das Nações Unidas (ONU): Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma), Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco), Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) e Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO). Adalberto Val, diretor do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa), é suplente na diretoria para a América Latina e Caribe.

Segundo Joly, o MEP tem um papel fundamental no IPBES, sendo responsável por definir o marco conceitual e o programa de trabalho da plataforma. Tem ainda de lidar com a complexa questão de como integrar o conhecimento científico com outros sistemas de conhecimento, especialmente o de comunidades indígenas e locais.

“O MEP terá também de enfrentar e equacionar o gigantesco desafio de estabelecer as metodologias e as métricas que serão utilizadas nos diagnósticos, de forma a permitir que avaliações sub-regionais possam ser integradas transformando-se em avaliações regionais, que por sua vez serão integradas em um diagnóstico global de biodiversidade e serviços ecossistêmicos”, disse Joly.

Joly destacou que a eleição para o painel e para sua diretoria resultam da inserção do BIOTA-FAPESP no debate internacional sobre biodiversidade. “As chamadas conjuntas com a National Science Foundation, dos Estados Unidos, e o Natural Environment Research Council, do Reino Unido, demonstram que alcançamos isso na área acadêmica. A escolha de meu nome pelo MEP indica que também na área de tradução do conhecimento em políticas de conservação, restauração e uso sustentável da biodiversidade, o BIOTA conquistou seu espaço no cenário internacional”, disse.

Reunião na FAPESP

O Painel Multidisciplinar de Especialistas do IPBES realizará, em parceria com o BIOTA-FAPESP e com o Escritório Geral para América Latina e Caribe do Pnuma, encontro de 10 a 13 de julho na FAPESP, em São Paulo.

“No primeiro dia haverá reunião fechada do Comitê IPBES da América Latina, com o objetivo de discutir questões específicas da regiao e estratégias para efetivamente envolvermos parceiros da comunidade acadêmica e de ONGs”, disse Joly.

No dia 11, será realizado o "Latin America and Caribbean Regional Consultation Meeting on the Intergovernmental Platform on Biodiversity and Ecosystem Services/IPBES”, das 8h30 as 12h30, aberto ao público interessado.

Nos dois últimos dias do evento ocorrerão reuniões fechadas dos cerca de 30 representantes de países da América Latina e Caribe filiados ao IPBES com representantes de instutuições técnico-científicas como do México, Costa Rica, Colômbia, Chile e outros países, e de organizações não governamentais e de comunidades indígenas e tradicionais.

Mais informações sobre o evento serão divulgados em breve pela Agência FAPESP.

 

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