Butantan está no final da fase 2 de teste da vacina da dengue | AGÊNCIA FAPESP

Butantan está no final da fase 2 de teste da vacina da dengue A fase de estudo clínico está prevista para iniciar no final de 2015 ou no início de 2016 (foto: Léo Ramos/FAPESP)

Butantan está no final da fase 2 de teste da vacina da dengue

29 de julho de 2015

Elton Alisson | Agência FAPESP – O Instituto Butantan está em vias de finalizar a vacinação dos últimos voluntários participantes dos ensaios clínicos de fase 2 da vacina contra a dengue que desenvolve em parceria com os Institutos Nacionais de Saúde (NIH, em inglês), dos Estados Unidos, com apoio da FAPESP.

Deverão ser processados, agora, os exames de sangue dos últimos participantes faltantes para concluir essa fase do estudo clínico, em que deve ser demonstrada que a vacina é segura e que o sistema imunológico dos voluntários imunizados desenvolve anticorpos necessários para combater os quatro sorotipos dos vírus da dengue.

“Já temos os resultados parciais de imunogenicidade [a capacidade da vacina induzir a uma resposta imunológica] dos outros participantes do estudo e agora faremos as análises dos últimos voluntários”, disse Alexander Roberto Precioso, diretor da Divisão de Ensaios Clínicos e Farmacovigilância do Instituto Butantan, à Agência FAPESP.

“Os resultados preliminares mostram que a vacina tem um perfil de segurança muito semelhante a outros tipos de vacina, o que é uma condição adequada para iniciar a fase 3 dos ensaios clínicos após a aprovação da Anvisa [Agência Nacional de Vigilância Sanitária] e dos comitês de ética”, afirmou Precioso.

No fim de abril, os pesquisadores do Instituto Butantan submeteram à Anvisa o protocolo do estudo clínico de fase 3 da vacina com o intuito de conseguir obter mais rapidamente a autorização para iniciar esta última etapa, em que deve ser demonstrado que a vacina é eficaz para combater a dengue.

Essa fase do estudo clínico estava prevista para ser iniciada no final de 2015 ou no início de 2016.

Em razão da epidemia da doença no país este ano e dos resultados preliminares promissores dos ensaios clínicos de fase 2, os pesquisadores do Instituto Butantan pretendem antecipar a aprovação do estudo clínico de fase 3 para que seja iniciado nos próximos meses.

“A realização dos ensaios clínicos de fase 3 nos próximos meses seria muito oportuno porque possibilitaria imunizar o maior número possível de participantes voluntários, de modo que já começassem a desenvolver resposta imunológica e, quando chegar o período de sazonalidade da dengue, que é no verão, eles estariam protegidos e nós poderíamos avaliar a eficácia da vacina”, disse Precioso.

A estimativa dos pesquisadores é que a Anvisa autorize a realização dos ensaios clínicos de fase 3 tão logo apresentem à agência regulatória os resultados da resposta imunológica dos participantes do estudo clínico de fase 2.

“Achamos que a aprovação da fase 3 não demorará muito porque a Anvisa se comprometeu a avaliar o protocolo que submetemos o mais rápido possível em razão da importância da dengue e da necessidade de uma vacina para combatê-la”, avaliou Precioso.

“Estamos em uma fase de perguntas e respostas, que é um processo comum entre um fabricante de uma vacina e uma agência regulatória”, afirmou.

Etapas do processo

A fase 2 de ensaios clínicos da vacina tetravalente contra a dengue foi desenvolvida em duas etapas.

A primeira etapa incluiu 50 voluntários, com idade entre 18 e 59 anos, sem contato prévio com o vírus de dengue, escolhidos aleatoriamente (randomizados) para ser vacinados com a formulação líquida da vacina desenvolvida originalmente pelo NIH – com estabilidade de apenas quatro horas de refrigeração –, ou com uma versão liofilizada desenvolvida pelo Butantan com maior estabilidade e validade, ou placebo.

Os voluntários da primeira etapa receberam duas doses de vacina líquida, liofilizada ou placebo em um intervalo de seis meses.

“A segunda dose foi considerada como exploratória, uma vez que nossa hipótese é que a vacina induza a resposta imune com apenas uma dose”, explicou Precioso.

Já a segunda etapa da fase 2 dos ensaios clínicos conta com a participação de mais 250 voluntários da mesma faixa etária dos participantes da primeira etapa, sendo que uma parte deles já teve contato com o vírus da dengue anteriormente.

“Todos os participantes dessa fase 2 de ensaios clínicos da vacina serão acompanhados por um período de cinco anos para que seja feita uma avaliação contínua da segurança, além da imunogenicidade e da ocorrência de casos de dengue entre eles”, explicou Precioso.

A fase 3 de ensaios clínicos da vacina – em que deverá ser comprovada a sua eficácia em proteger contra os quatro subtipos do vírus da dengue – envolverá 17 mil voluntários, distribuídos em três grupos etários: crianças de 2 a 6 anos; crianças e adolescentes de 7 a 17 anos e adultos de 18 a 59 anos.

A duração dessa fase final de estudos clínicos da vacina dependerá de fatores, como a disposição desse contingente de pessoas em participar voluntariamente e de questões epidemiológicas favoráveis, como a circulação dos quatro subtipos de vírus da dengue no país durante o período de realização dos testes.

“É necessário que os voluntários que participarão da fase 3 de ensaios clínicos sejam expostos aos quatro vírus da dengue para podermos certificar que a vacina realmente é tetravalente”, disse Precioso.

“A circulação dos subtipos de vírus da dengue representa uma caixinha de surpresas. Não temos como prever qual será o subtipo de vírus predominante na próxima estação de verão”, afirmou.

O processo de recrutamento dos 17 mil voluntários que participarão da fase 3 de ensaios clínicos da vacina só poderá ser iniciado após a aprovação da Anvisa e dos comitês de ética.

O recrutamento dos voluntários será feito aos poucos, de acordo com períodos estabelecidos, explicou Precioso. “Os 17 mil voluntários não serão todos vacinados na mesma época, mas em períodos específicos”, detalhou.

Leia mais sobre a vacina contra a dengue do Instituto Butantan em agencia.fapesp.br/20882.
 

  Republicar
 

Republicar

A Agência FAPESP licencia notícias via Creative Commons (CC-BY-NC-ND) para que possam ser republicadas gratuitamente e de forma simples por outros veículos digitais ou impressos. A Agência FAPESP deve ser creditada como a fonte do conteúdo que está sendo republicado e o nome do repórter (quando houver) deve ser atribuído. O uso do botão HMTL abaixo permite o atendimento a essas normas, detalhadas na Política de Republicação Digital FAPESP.


Assuntos mais procurados