Bolsista da FAPESP é premiado nos EUA | AGÊNCIA FAPESP

Desenvolvimento de película bactericida em peças de revestimento cerâmico ganha prêmio de inovação Idea to Product Competition 2009 (arq.pessoal)

Bolsista da FAPESP é premiado nos EUA

02 de dezembro de 2009

Por Fábio Reynol

Agência FAPESP – Um trabalho de pesquisa de Thiago Sequinel, aluno de doutorado do Instituto de Química de Araraquara da Universidade Estadual Paulista (Unesp), conquistou o primeiro lugar na competição Idea to Product Competition 2009 (I2P), no fim de outubro. O evento ocorre anualmente na Universidade do Texas, nos Estados Unidos, e envolve universidades dos continentes americano, asiático e europeu.

A competição seleciona inovações criadas em universidades e consideradas de grande potencial comercial. O produto da pesquisa de Sequinel, que é bolsista da FAPESP, são peças de revestimento cerâmico cobertas com um material bactericida, o óxido de titânio. O trabalho consistiu em desenvolver uma técnica para fazer o óxido interagir com o substrato, ou seja, o material cerâmico.

A pesquisa começou no projeto de iniciação científica do estudante, na Universidade Estadual de Ponta Grossa, no Paraná. Orientado pelo professor Sérgio Mazurek Tebcherani, Sequinel desenvolveu um método de obtenção de nanopartículas de óxido de titânio.

Durante o trabalho de mestrado, orientado pelo mesmo professor, as nanopartículas foram agrupadas para formar um filme finíssimo. O trabalho premiado consistiu em desenvolver um processo para que essa película aderisse de forma permanente às peças cerâmicas.

“Por meio de alta pressão e uma temperatura de cerca de 480º C, o filme interagiu com o material”, disse Sequinel, ressaltando que técnicas anteriores necessitavam de mais de 700º C para promover a aderência dos óxidos. Com isso, pisos e azulejos ganham o óxido de titânio que, ao se incorporar à cerâmica, lhes confere proteção contra bactérias durante toda a vida útil da peça.

Para participar do I2P, Sequinel integrou a equipe Nanoita junto com Tebcherani e mais dois professores, René Rodrigues Fernandes, da Fundação Getúlio Vargas, e José Arana Varela, seu atual orientador de doutorado na Unesp e vice-presidente da FAPESP.

O projeto da cerâmica bactericida venceu a etapa continental da competição em 2008, que envolveu países da América Latina, e classificou o trabalho para a participação do mundial deste ano nos Estados Unidos.

“É muito forte o apelo comercial do produto para a área da saúde”, disse Sequinel. Ele destaca que pisos e azulejos com óxido de titânio podem ser empregados em hospitais, restaurantes industriais, indústrias alimentícias e qualquer lugar que necessite de um alto grau de assepsia.

O I2P é disputado apenas por estudantes e o produto participante não pode ter sido comercializado ou ter gerado lucro. O objetivo é incentivar que ideias com bom potencial de comercialização ganhem o mercado.

Por isso, o primeiro prêmio envolve a quantia de US$ 10 mil a fim de dar o impulso inicial ao novo negócio. “Estamos negociando o licenciamento de fabricação com três grandes empresas cerâmicas”, disse Sequinel.
 

 

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