BIOEN busca sinergia em estudos sobre sustentabilidade | AGÊNCIA FAPESP

Workshop realizado pelo Programa FAPESP de Pesquisa em Bioenergia reuniu cientistas envolvidos com estudos sobre impactos socioeconômicos e ambientais da produção de bioenergia

BIOEN busca sinergia em estudos sobre sustentabilidade

25 de abril de 2012

Por Fábio de Castro

Agência FAPESP – O Programa FAPESP de Pesquisa em Bioenergia (BIOEN) realizou, na segunda-feira (23/4), o Workshop de Pesquisa BIOEN – Divisão de Impactos e Sustentabilidade. O evento reuniu cientistas envolvidos com diversos dos projetos de pesquisa financiados pela FAPESP com foco nos desdobramentos socioeconômicos e ambientais da produção de bioenergia.

De acordo com o organizador do evento, Heitor Cantarella, professor do Instituto Agronômico de Campinas e membro da coordenação do BIOEN, o objetivo central do workshop foi o de estimular a interação entre os diversos projetos.

“Vários dos projetos da divisão de Impactos e Sustentabilidade do BIOEN têm resultados de interesse mútuo e uma das prioridades do programa é estimular a sinergia entre eles. Participaram do workshop também pesquisadores que coordenam projetos financiados da FAPESP em áreas próximas, mas que provavelmente serão em breve integrados ao BIOEN”, disse Cantarella à Agência FAPESP.

O BIOEN, que teve início em 2008, tem cinco divisões: "Biomassa para Bioenergia" (com foco em cana-de-açúcar), "Processo de Fabricação de Biocombustíveis", "Biorrefinarias e Alcoolquímica", "Aplicações do Etanol para Motores Automotivos: motores de combustão interna e células a combustível" e "Pesquisa sobre sustentabilidade e impactos socioeconômicos, ambientais e de uso da terra".

“A divisão de impactos e sustentabilidade do BIOEN é uma das vertentes mais importantes do programa, porque a produção de bioenergia, por sua demanda mundial, acaba se tornando uma vitrine internacional. As exigências em termos de sustentabilidade acabam sendo muito maiores que as do próprio setor de produção de alimentos. É preciso que estejamos preparados para responder a essas exigências, com embasamento científico, porque sabemos que todos os atores do processo produtivo vão cobrar sustentabilidade na produção de biocombustíveis”, disse Cantarella.

Segundo Cantarella, as discussões realizadas no workshop foram organizadas em três sessões temáticas: “ambiente e biologia”, “ambiente e meio físico” e “impactos econômicos e sociais”. “Foi um debate extremamente interessante, que deixou transparecer a excelência da pesquisa produzida por esses grupos. Mostramos que o Programa BIOEN está cobrindo todas as áreas importantes relacionadas à sustentabilidade da produção de biocombustíveis”, disse Cantarella.

De acordo com Canterella, a discussão evidenciou a existência de uma ampla interface entre os diferentes projetos e de um interesse mútuo, entre os pesquisadores, pelo que os demais grupos estão fazendo.

“Prevemos que teremos colaborações bastante ricas daqui para frente. Além disso, acho que estamos fazendo um trabalho bom de conseguir trazer novos pesquisadores para o programa, para abordar as áreas nas quais ainda temos lacunas importantes, ou onde os projetos ainda não são tão abrangentes”, afirmou. 

 Ambiente e impactos socioeconômicos

Na sessão “Ambiente e biologia”, Eduardo Alves de Almeida, do Departamento de Química e Ciências Ambientais da Universidade Estadual Paulista (Unesp), apresentou um estudo comparativo entre os efeitos tóxicos do petrodiesel e do biodiesel sobre efeitos tóxicos à tilápia do Nilo e ao cascudo marrom.

Luis Cesar Schiesari, da Escola de Artes Ciências e Humanidades (EACH) da Universidade de São Paulo (USP), na mesma sessão, falou sobre os impactos da expansão da agroindústria da cana-de-açúcar sobre comunidades aquáticas. Marat Rafikov, da Universidade Federal do ABC (UFABC) apresentou seus estudos sobre modelagem matemática de estratégias para o controle biológico de pragas para a produção eficiente e sustentável de cana-de-açúcar.

Na sessão “Ambiente e meio físico”, Cantarella descreveu um projeto sobre a nutrição nitrogenada de cana-de-açúcar com fertilizantes ou bactérias diazotróficas. Raffaella Rossetto, da Agência Paulista de Tecnologia do Agronegócio (APTA), descreveu um estudo sobre o monitoramento dos atributos químicos e a eficiência agronômica da vinhaça concentrada aplicada em soqueiras de cana-de-açúcar.

Newton La Scala Júnior, da Faculdade de Ciências Agrárias e Veterinárias de Jaboticabal, da Unesp, falou a respeito de estudos sobre os impactos das práticas de gestão sobre a emissão de CO2 do solo em áreas de produção de cana. Carlos Eduardo Pellegrino Cerri, do Centro de Energia Nuclear na Agricultura (Cena), da USP, descreveu dois projetos ligados às emissões de N2O e aos a estoques de carbono do solo na mudança do uso da terra para cultivo da cana-de-açúcar.

Na sessão “Impactos econômicos e sociais”, Bernardo Theodor Rudorff, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), descreveu estudos sobre impactos ambientais e socioeconômicos associados à produção e consumo de etanol de cana-de-açúcar. Bruno Perosa, da Fundação Getúlio Vargas (FGV) apresentou estudos sobre o a avaliação de estruturas institucionais do mercado internacional de bioenergia.

Leila Harfuch, do Instituto de Estudos do Comércio e Negociações Internacionais (Icone), descreveu os trabalhos da instituição sobre a simulação de uso da terra e expansão agrícola no Brasil e seus impactos em alimentos, energia, agroindústria e ambiente.

Tadeu Fabrício Malheiros, da Escola de Engenharia de São Carlos (USP) apresentou a palestra “O lado doce e amargo da cana-de-açúcar: avaliação integrada da sustentabilidade no contexto do etanol brasileiro”. José Maria Ferreira Jardim da Silveira, do Instituto de Economia da Unicamp, falou sobre o desenho organizacional do programa BIOEN: propriedade intelectual, mecanismos de incentivo e avaliação e impactos.

 

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