Beleza nanométrica | AGÊNCIA FAPESP

Pesquisadores do Centro Multidisciplinar para o Desenvolvimento de Materiais Cerâmicos, um dos Cepids da FAPESP, destacam-se em mostra internacional on-line de nanoarte organizada nos Estados Unidos. Na foto, imagem de titanato zirconato de cálcio e estrôncio produzida por Daniela Caceta

Beleza nanométrica

29 de janeiro de 2010

Por Fábio de Castro

Agência FAPESP – Objetos um milhão de vezes menores que um milímetro podem ter sua beleza. Por serem capazes de exibir as imagens desse universo minúsculo, os cientistas envolvidos com nanotecnologia têm se tornado verdadeiros artistas. É o que mostra a Mostra Internacional On-line Nanoarte 2009-2010, que teve início na última segunda-feira (25/1) com a participação destacada de um grupo de pesquisadores brasileiros.

Organizada pelo cientista – e artista – Cris Orfescu, professor da Universidade de Nova York (Estados Unidos), a exposição competitiva conta com 150 imagens, das quais 15 foram produzidas por pesquisadores ligados ao Centro Multidisciplinar para o Desenvolvimento de Materiais Cerâmicos (CMDMC) – um dos Centros de Pesquisa, Inovação e Difusão (CEPIDs) da FAPESP – e ao Instituto Nacional de Ciência dos Materiais em Nanotecnologia (INCTMN), também apoiado pela Fundação.

De acordo com Elson Longo, professor do Instituto de Química da Universidade Estadual Paulista (Unesp) e coordenador do CMDMC e do INCTMN, a exposição estará aberta para votação até o dia 31 de março.

Até o momento, os brasileiros estão vencendo: das 12 imagens mais acessadas, 11 foram produzidas por três técnicos do INCTMN: Rorivaldo Camargo, Ricardo Tranquilin e Daniela Caceta. O grupo sediado em São Carlos (SP) criou, em 2009, o Projeto Nanoarte, que foi tema de reportagem da Agência FAPESP .

De acordo com Longo, a exposição, que está em sua quarta edição, tem 42 participantes provenientes do Brasil, Alemanha, Canadá, Itália, Romênia, Holanda, Eslovênia, Filipinas e México.

“As imagens são feitas com microscópios de varredura de alta resolução, inicialmente em preto e branco. Depois elas são coloridas em um programa de computador. São tão fantásticas que o resultado são verdadeiras obras de arte. Algumas dessas fotos chegam a ser vendidas por até US$ 15 mil”, contou Longo à Agência FAPESP.

Segundo o professor, a nanoarte não se limita a uma diversão para cientistas. A exibição das imagens tem grande apelo junto ao público, o que proporciona uma popularização da ciência. Além disso, ela pode se transformar em uma verdadeira área de investigação na qual convergem arte, ciência e tecnologia.

“A utilização de ferramentas como a microscopia de força atômica para produzir essas imagens é capaz de revelar segredos dos sistemas complexos, nos auxiliando a compreender a origem de propriedades químicas e físicas dos materiais. Esse é o primeiro passo para o controle dessas propriedades, que conduzirá a aplicações inovadoras”, disse.

Interesse do público

Segundo Longo, os materiais em nanoescala, com pelo menos uma dimensão menor que 100 nanômetros, apresentam propriedades extraordinárias que, muitas vezes, não são observadas em seus homólogos sólidos clássicos.

“A origem das alterações dramáticas nas propriedades físicas e químicas em dimensão nanométrica é um campo de interesse muito importante, pois é no domínio das nanopartículas que esperamos encontrar a diferenciação entre as propriedades do estado sólido e do nível molecular”, afirmou.

De acordo com Longo, quando Orfescu idealizou a mostra, há quatro anos, havia ainda poucas imagens. O crescimento da exposição, hoje com 150 obras e com a participação de vários países, revela um aumento do interesse pela nanoarte.

“Uma mostra como essa é muito importante para nós, pois os CEPIDs têm o dever de fazer a difusão do conhecimento e nós enxergamos na nanoarte uma forma de divulgar a ciência”, disse.

“Quando entram em contato com as imagens que produzimos, muitas pessoas nos procuram para saber como foram feitas. O público começa a se perguntar que materiais são aqueles e ficam curiosos para compreender como conseguimos fotografar algo tão pequeno”, completou.
 

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