Revistas Científicas
Desigualdade crescente
24/07/2003
A diferença na mortalidade infantil nos países mais ricos para mais pobres está cada vez maior. Entre 1970 e 2000, o número de mortes entre crianças com menos de cinco anos de idade caiu em 71% nos países desenvolvidos contra apenas 40% nos demais. Isso fez com que, atualmente, 99% das mortes infantis aconteça em países menos desenvolvidos economicamente.Os dados alarmantes estão no artigo Applying an equity lens to child health and mortality: more of the same is not enough, de Cesar Victora, do Centro de Pesquisas Epidemiológicas da Universidade Federal de Pelotas, e cinco outros pesquisadores de diversas instituições e países, publicado na edição de 19/7 da revista médica The Lancet.
"As diferenças são inaceitavelmente grandes e, em algumas áreas, estão se tornando ainda maiores. Crianças pobres são mais suscetíveis a problemas de saúde do que as mais ricas, têm menos resistência a doenças por causa da desnutrição e de outros problemas típicos de regiões pobres. Até mesmo as verbas públicas para saúde freqüentemente beneficiam mais os ricos", dizem os autores.
Na Bolívia, a mortalidade infantil caiu 34% nos anos 90 entre os 20% mais ricos da população, mas apenas 8% nos 20% mais pobres. No Vietnam, a taxa praticamente não diminui entre os mais pobres desde os anos 80. Na Indonésia, a taxa de mortalidade é quatro vezes maior entre os 20% mais pobres do que a identificada entre os 20% mais ricos.
Para tentar diminuir a grave situação, os autores aconselham medidas como o monitoramento regular de desigualdades e o uso das informações resultantes para educação, política e informação. "A eqüidade deve ser uma prioridade na elaboração de intervenções de sobrevivência infantil, bem como no emprego de estratégias. Mecanismos para garantir responsabilidades em níveis nacionais e internacionais devem ser desenvolvidos", dizem.
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Para saber mais sobre o trabalho de Victora e de outros pesquisadores, que levou à série de artigos sobre mortalidade infantil publicados pela revista The Lancet, clique aqui.
- Para ler o artigo de Cesar Victora e colegas, clique aqui.

