Revistas Científicas
Revista eletrônica aceita colaboração
24/07/2003
Por Thiago RomeroAgência FAPESP - A revista eletrônica Biota Neotropica, uma publicação do programa Biota/FAPESP, está aberta à colaboração de pesquisadores que estejam desenvolvendo estudos sobre o uso sustentável da biodiversidade na região Neotropical. Os artigos submetidos serão avaliados e poderão entrar na edição atual, que acaba de ser lançada na internet.
Escrita essencialmente por pesquisadores, com periodicidade semestral, a revista enfoca estudos sobre a região neotropical, que vai da América Central até a Argentina. Os textos passam pela avaliação de uma assessoria especializada e são publicados de acordo com o impacto dos resultados das pesquisas envolvidas. Em cada número, são publicados entre 12 e 15 estudos. O volume 3, número 2, está disponível em português, inglês e espanhol. Os trabalhos apresentados até 30 de outubro poderão ser incluídos nesta edição.
A Biota Neotropica publica os resultados de pesquisas vinculadas ou não ao programa Biota-FAPESP. Lançado em 1999, o objetivo do programa é mapear e analisar a biodiversidade do Estado de São Paulo, incluindo a fauna, a flora e os microrganismos. O Biota-FAPESP se desenvolve por meio de uma rede virtual que interliga mais de 500 pesquisadores.
A revista publica também, por edição, dez cópias impressas em português e dez em inglês, para serem depositadas em bibliotecas de referência, uma vez que, por exigência dos respectivos códigos nomenclaturais, a descrição de novas espécies de plantas e animais necessitam que seus códigos zoológicos e botânicos sejam disponibilizados também em papel.
A edição atual traz diversos artigos. Um dos destaques é o Uso e conservação da ictiofauna no ecoturismo da região de Bonito, Mato Grosso do Sul: o mito da sustentabilidade ecológica no Rio Baía Bonita (Aquário Natural de Bonito), de José Sabino e Luciana Paes de Andrade, discute o excesso de turistas na região. Após três anos de monitoramento ambiental na região, considerada um exemplo emblemático de práticas corretas no ecoturismo, os pesquisadores detectaram perda de índices de biodiversidade.
Sabino e Luciana argumentam que a atividade turística desenvolvida na região é baseada em parâmetros econômicos em detrimento dos ambientais, afetando diretamente ambientes como o Aquário Natural. A proposta apresentada por eles é promover estudos científicos que mantenham um planejamento de conservação da fauna e da sustentabilidade ambiental dos aquários a longo prazo.
"O número de visitantes na região é realmente excessivo ao que ela pode suportar. É preciso haver uma adequação das pessoas autorizadas a visitar os aquários naturais, para que não haja uma degradação maior do ecossistema de Bonito", disse o editor-chefe da revista e coordenador do programa Biota/FAPESP, Carlos Alfredo Joly, à Agência FAPESP.

