Ganhadores do prêmio Nobel, que participam de escola na Unicamp, destacam a importância do programa da FAPESP para o desenvolvimento da química no Brasil (Wikipedia)

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Nobéis elogiam a Escola São Paulo de Ciência Avançada

17/08/2011

Por Fábio de Castro, de Campinas (SP)

Agência FAPESP – Uma oportunidade ímpar. Assim se pode definir a Escola São Paulo de Ciência Avançada sobre “Produtos Naturais, Química Medicinal e Síntese Orgânica”, realizada no Centro de Convenções da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) até o dia 18 de agosto.

O motivo é que os estudantes participantes têm a oportunidade de acompanhar aulas e dialogar com alguns dos maiores nomes na área no mundo. Dos 20 professores convidados, nada menos do que quatro são ganhadores do prêmio Nobel de Química: o japonês Ei-ichi Negishi, a israelense Ada Yonath, o norte-americano Richard Schrock e o suíço Kurt Wüthrich.

“Esses e os outros cientistas que participam da escola foram convidados levando-se em conta o estado da arte das pesquisas em química tanto na área de produtos naturais como química medicinal e síntese orgânica”, disse Vanderlan Bolzani, professora da Universidade Estadual Paulista (Unesp) e coordenadora da escola. O evento é realizado no âmbito da Escola São Paulo de Ciência Avançada (ESPCA), modalidade de apoio da FAPESP.

A oportunidade não é única apenas para os 100 estudantes de pós-graduação, sendo 50 deles estrangeiros, que assistem às sessões da escola, mas também para os professores participantes, segundo os próprios. Eles também destacam a importância de poder vir ao Brasil para trocar conhecimento com os cientistas locais.

Negishi, vencedor do Nobel em 2009, destaca que pesquisadores brasileiros têm potencial para dar uma contribuição importante para a ciência.

“O Brasil é um país emergente muito promissor em ciência e tem todas as condições de ganhar um Nobel, por exemplo. A primeira vez em que o prêmio foi concedido a um japonês foi em 1949, apenas quatro anos após o país ser devastado pela Segunda Guerra Mundial”, disse.

Segundo ele, a área de Química cresce especialmente rápido no Brasil. “Prova disso é o programa ESPCA, da FAPESP. Fiquei muito entusiasmado com o formato. Acho que é o tipo de iniciativa que terá certamente grande impacto futuro desses jovens e do país”, disse.

“Quando vi o programa da Escola de Química fiquei surpreso com a qualidade dos pesquisadores chamados. Não é fácil reunir uma equipe de palestrantes desse nível, não me lembro de ter presenciado nada parecido”, afirmou.

Apoio à pesquisa

Wüthrich, laureado como Nobel em 2002, destaca que o Brasil tem aumentado sua cooperação científica internacional, mas que ainda é preciso tornar essa internacionalização mais estável. “Tem muita gente no país cooperando para a pesquisa de excelência. Mas é muito importante também dar continuidade à evolução desse processo”, disse.

“Tenho a impressão de que no Brasil há uma característica de instabilidade. Estive no país há mais de 30 anos, quando já havia instituições excelentes trabalhando em grandes cooperações internacionais. Mas, quando o financiamento entrava em colapso, as pesquisas estancavam. Acho um ponto fundamental ter estabilidade, com investimentos de dez anos ou mais para a pesquisa”, disse Wüthrich, que elogiou a iniciativa da FAPESP por meio da ESPCA.

Outro ponto importante para a pesquisa brasileira, segundo ele, seria melhorar o ensino básico. “É muito difícil manter estável uma boa educação, de excelência, na pós-graduação, se ela se fundamenta em um ensino básico medíocre. Meus colegas brasileiros se ressentem disso. O Brasil tem uma excelente pesquisa, mas é preciso melhorar a base do ensino para que esse processo seja sustentável a longo prazo”, afirmou.

“A cooperação internacional é extremamente importante. O Brasil está evoluindo muito nesse sentido. Mas também precisa ser feita em uma base sólida, estável, perene. É preciso ganhar confiança internacional. Acredito que os Jogos Olímpicos e a Copa do Mundo farão parte desse esforço”, disse Wüthrich, que é formado em Educação Física, sua área original antes de se dedicar à química. “O esporte trouxe muto para a minha ciência, com toda certeza. Comecei a atuar em química com interesse nas questões relacionadas a doping. A interdisciplinaridade é fundamental”, afirmou.

De acordo com Wütrich, um dos desafios mais difíceis para a química no próximo século não é de natureza científica, nem tecnológica: é a missão de conquistar a confiança da sociedade.

“Com os avanços da tecnologia, temos muitas possibilidades e a química está realizando muitas descobertas. Mas ainda há muita desconfiança da população em relação ao que fazemos. Um dos principais desafios para nós é ganhar  – ou reconquistar  – a confiança e o apoio da população. Acho que só assim conseguiremos respaldo para ter mais investimento e usar melhor nossas possibilidades”, afirmou.

A Escola São Paulo de Ciência Avançada em Química tem transmissão ao vivo pela internet em www.espcachemistry.iqm.unicamp.br/ESPCA.

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