Pedro Alberto Morettin, professor do Instituto de Matemática e Estatística da USP, é o primeiro brasileiro a ganhar o Mahalanobis Award, concedido pelo governo da Índia aos mais destacados estatísticos dos países em desenvolvimento (foto: arq. pessoal)

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Destaque em estatística

10/06/2009

Por Fábio de Castro

Agência FAPESP – O professor Pedro Alberto Morettin, do Instituto de Matemática e Estatística (IME) da Universidade de São Paulo (USP), é o primeiro brasileiro a ganhar o Mahalanobis Award, concedido pelo governo da Índia por meio de seu Ministério de Estatística e Implementação de Programas. O prêmio será entregue durante a 57ª Reunião do Instituto Internacional de Estatística (ISI, na sigla em inglês), em Durban, na África do Sul, em agosto.

O prêmio, que homenageia o estatístico indiano Prasanta Chandra Mahalanobis (1893-1972), é concedido a cada dois anos, desde 2003, a “um estatístico que tenha origem e reputação construída em um país em desenvolvimento, em reconhecimento por suas conquistas ao longo da vida em estatística e na promoção das melhores práticas na área”.

Mahalanobis exerceu grande influência na estatística mundial e foi fundador do Instituto Estatístico Indiano, o equivalente, no segundo país mais populoso do mundo, ao Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

“Para implementar esse prêmio, o governo indiano fez um entendimento com o ISI – que congrega estatísticos do mundo todo, da área acadêmica, de governo e empresas – para que o instituto criasse um comitê encarregado de escolher o premiado. Os quatro ganhadores até agora são originários da Índia, Uganda, Filipinas e Brasil”, disse Morettin à Agência FAPESP.

Morettin, que já foi presidente da Associação Brasileira de Estatística (ABE), é atualmente membro do conselho diretor da instituição. Formado em matemática na USP em 1963, obteve seu mestrado em estatística na Universidade da Califórnia em Berkeley, nos Estados Unidos, em 1971, e o doutorado em 1972 na mesma instituição. Desde 1965 atua como docente na USP.

“O comitê leva em conta tudo o que a pessoa fez durante a carreira e a minha trajetória é basicamente acadêmica. Dedico-me à área de estatística, especificamente à análise de séries temporais e processos estocásticos, com aplicações em diversas áreas”, explicou.

Morettin é coordenador do Projeto Temático “Séries temporais, análise de dependência e aplicações”, apoiado pela FAPESP, que investiga metodologias de séries temporais, medidas de dependência, cópulas e funções de dependência alternativas novas, com aplicações potenciais em diversas áreas, como ciências atuariais, finanças, medicina, biologia e ciências físicas.

O projeto teve início em julho de 2008. “Um temático anterior era mais específico: referia-se a aplicações em seguros e finanças. O projeto atual estendeu as pesquisas para várias outras aplicações”, contou Morettin.

As metodologias investigadas no projeto atual têm o objetivo de resolver problemas teóricos e aplicados relacionados a diversos tópicos de pesquisa: como avaliação de riscos (associados a eventos como terremotos, acidentes de carros, incêndios florestais, aumento na temperatura do ar e oceanos, aumento no nível do mar); ocorrências de valores extremos em séries temporais; estimação da volatilidade de ativos financeiros; ou aplicações em estudos de sequências de DNA, microarrays e ressonância magnética funcional, por exemplo.

Morettin foi o escolhido para receber o prêmio porque, além de fazer pesquisas em áreas com aplicações tão amplas, tem atividade intensa de formação de recursos humanos: 46 alunos orientados em mestrados e doutorados e publicação de cinco livros que hoje são adotados em cursos básicos, intermediários e avançados.

“Sempre achei que temos que formar literatura na área de estatística no Brasil. Preocupo-me muito em escrever textos e formar indivíduos. Acredito que o comitê que atribui a premiação também deve ter considerado minha atividade em sociedades científicas, à qual costumam dar muita importância”, disse o estatístico.

Morettin foi editor chefe do Brazilian Journal of Probability and Statistics, entre 1987 e 1990 e entre 2000 e 2006. É editor associado do Journal of Forecasting desde 2000. Presidente da ABE entre 1994 e 1996, foi também presidente do Instituto Interamericano de Estatística (1999-2000) e vice-presidente do ISI, entre 1995 e 1997. Entre 1990 e 1993, foi diretor do IME-USP.
 

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